domingo, 8 de janeiro de 2012

Que a esperança vença o medo!

O ano de 2012 tornou-se o centro de gravidade do fim do mundo por uma confluência de achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru em 2012. Depois, veio à tona que o calendário dos maias, uma das esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana, acaba em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se os maias, tão entendidos em astronomia, encerraram as contas dos dias e das noites nessa data é porque depois dela não haverá mais o que contar. Posteriormente, apareceram os eternos intérpretes de Nostradamus e, em seguida, vieram os especialistas em mirabolâncias geológicas e astronômicas com um vasto cardápio de catástrofes: reversão do campo magnético da Terra, mudança no eixo de rotação do planeta, devastadora tempestade solar e derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da Via Láctea – tudo em 2012 ou em 21 de dezembro de 2012.

Desde os anos 50, cada década tem pelo menos uma dúzia de filmes apocalípticos dignos de nota, de Godzilla a Apocalypto, de O Planeta dos Macacos a Matrix, de O Bebê de Rosemary a Presságio e claro, o mais famoso, 2012, o filme. Eles sempre narram algo do seu tempo.

Para tranquilizar nossos leitores, Veja as 10 profecias apocalípticas mais famosas sobre o QUANDO do fim do mundo de todos os tempos:

1 - No ano 1000 os teóricos do apocalipse disseram que o final do mundo seria 1000 anos após o nascimento de Jesus cristo! Depois explicaram que a data correta seria 1000 anos depois da morte de Jesus Cristo, em 1033;

2 – Em 1520, Astrólogos previram que o fim do mundo começaria com uma inundação em Londres em 1º de fevereiro! No dia nem chuviscou;

3 – Em 1530, Melchior Hoffmann, profeta anabatista, previu que, um milênio e meio depois da morte de Cristo, o mundo seria consumido em chamas! O profeta em questão foi preso e morreu na prisão.

4 – Em 1537, o astrólogo francês Pierre Turrel achou quatro datas para o fim do mundo: 1537, 1544, 1801 e 1814! Não se tem notícia de alguém tenha errado tanto quanto ele;

5 – Em 1648, o judeu Sabbatai Zevi descobriu que ele mesmo era o Messias e viria em 1648. Mudou a data para 1666! Preso, converteu-se ao islamismo;

6 – Em 1736, o teólogo inglês William Whiston previu que o fim seria em Londres em 13 de outubro. O rio Tâmisa fiou atulhado de barcos para fugir da inundação! De novo nem choveu;

7 – Em 1843, o adventista William Miller anunciou o apocalipse para o dia 3 de abril, depois 7 de julho, depois 21 de março de 1844 e, por fim, 22 de outubro! Viveu para ver todos os seus erros. Morreu cinco anos depois do fracasso da sua ultima previsão;

8 – Em 1914, Testemunha de Jeová esperaram o cataclismo final para 1914. Já havia fracassado na previsão anterior que indicara o ano de 1874! Só para registrar que falharam também na previsão futura em 1975;

9 – Em 1980, Um presságio astrológico árabe dizia que o mundo acabaria com Saturno e Júpiter em conjunção com o signo de libra a 9 graus, 29 minutos! Constatou-se que até a configuração astronômica estava errada;

10 – Em 1999, Diversas profecias previam o fim do mundo em 11 de agosto! Atribuíram o erro ao culpado de sempre, Nostradamus.

Quando Jesus profere seu sermão profético no capítulo 24 do Evangelho de Mateus, respondendo aos seus discípulos sobre quando se daria o fim dos tempos, Jesus disse: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Pois muitos virão em meu nome dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.”

Jesus cita nesta passagem acontecimentos que precederão o fim, Terremotos, guerras e outras tragédias que de certa forma percebemos estas profecias sendo concretizadas nos noticiários de hoje, mas Jesus avisa: “Todas essas coisa não são o fim e sim o princípio das dores”.

Para nós cristãos, o livro do Apocalipse escrito por São João é uma resposta de Deus para todos nós, onde não nos diz quando, mas nos ensina a identificar os sinais e os acontecimentos que antecedem o verdadeiro ARMAGEDON, um evento onde Jesus retornará de forma triunfal, onde será estabelecido o seu reino e a instalação da NOVA JERUSALÉM! Esse Acontecimento tem sido proclamado incessantemente por Nossa Senhora em Medjugorje, onde aparece há mais de 30 anos, como algo mais próximo! E nós cristãos devemos ter medo da volta de Jesus? Acredito que não, pois Jesus é o Senhor e sua vinda deve ser aguardada da forma que ele ensinou: Orai e vigiai!... (Mt 26,41)

A quem interessa tanto medo? Imagine quantas pessoas que entram em desespero por causa destas previsões de medo amplamente divulgado na grande mídia e redes sociais. Quando um Cristão deveria fazer a seguinte pergunta: E Jesus, o que diz sobre isso? Vejamos no Evangelho de São Marcos no versículo 32 do capítulo 13: “Daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai”. E quantas igrejas não difundem de forma exaustiva o medo, desconsiderando as palavras de Jesus e explorando o apocalipse de forma equivocada? E a Igreja católica, o quê nos diz?


Vejamos este texto retirado do documento do Concílio de Latrão: O Magistério da Igreja, seguindo os passos de seu Fundador, decretou em 1516, no V Concílio de Latrão: “Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão, incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinado juízo”.

O nosso bispo Dom Odelir, na sua coluna A Voz do Pastor (Edição 454/ Jornal Correio da semana), também reintera essa posição da Igreja no seu primeiro artigo do ano, vejamos o que Dom Odelir nos escreveu:

“...O ano de 2012 está em evidência, relacionado ao fim do mundo, e se tornou o centro das atenções dos esotéricos. Segundo o calendário Maia, o ano de 2012 é a chave para muitas de mudanças e está associado ao fim de um ciclo. Para muitos este final está inteiramente ligado a destruição da humanidade por uma série de eventos terríveis e de cunho catastrófico. Para outros fica subentendido o fim da humanidade, como ela é hoje, dando inicio a um novo tempo de humanidade e espiritualidade do homem.

A numerologia explica que 2012 será um ano ímpar, que corresponde à soma dos números 2+0+1+2 = 5. Por ser um ano 5, será uma ano de grandes mudanças e consideráveis mudanças na vida das pessoas.

Os antigos povos Maias – habitantes do Sul do México e da América Central – eram observadores do universo e, por consequências disso, grandes astrônomos. Com base em seus estudos, os Maias previram que tendo como ponto inicial a civilização Maia (3113 a.C.) até o final do ano de 2012 d.C. , o sol emanaria raios mais intensos ao planeta Terra. Desta forma, eles descobriram que o Sistema Solar se encontra em um cruzamento entre duas galáxias, no qual as três galáxias, no qual as três galáxias irão se alinhar em 2012 e receberão um fluxo máximo de energia solar.

O ano de 2012 para os Maias é um ano marcado em seu calendário de longa duração como o fim de um ciclo. O fim do Quinto Sol e o início do Sexto Sol, que se inicia no ano de 3113 a. C. e termina em 21 de dezembro de 2012”.

Desta forma, segundo Dom Odelir, não se trata de uma profecia, mas sim um fim de um ciclo.
Então que a Esperança vença o medo em 2012, que seja um ano abençoado, cheio de bênçãos e realizações e que seja marcado por um novo ciclo de santidade e conversão na sua vida e nos seus familiares!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

SEXUALIDADE - Uma perspectiva Cristã

A sexualidade é um assunto importante para os cristãos hoje em dia. Ela não pode mais ser deixada de lado, como algo sobre o qual não falamos e com o qual só lidamos na vida privada. Devemos encarar os resultados do comportamento sexual que vemos na nossa sociedade.

A intenção de Deus para o sexo

Não há motivo algum para considerarmos o sexo como algo mau e pecaminoso. Quando vemos o que a Bíblia diz sobre o sexo, vemos que Deus quis que ele fosse uma das dádivas mais bonitas e maravilhosas. O propósito não é apenas a reproduções sexual. Deus criou o sexo para construir um relacionamento matrimonial eficaz, com base no desfrute e deleite mútuos. Deus criou o sexo para o prazer, como uma expressão do amor para que ambos o homem e a mulher o desfrutassem. O sexo não deve ser uma obrigação penosa. Porém, tampouco o prazer físico é o seu único propósito.

Casamento

O ideal de Deus é que nos abstenhamos antes do casamento e sejamos fiéis aos nossos parceiros dentro dele. Estes limites são para a nossa própria proteção. O sexo deve ser uma fonte de deleite e satisfação, que ajuda a unir os casais, mas, muitas vezes, as experiências prévias podem ser prejudiciais. O sexo foi criado para relacionamentos permanentes, leais e que respeitam ambos os parceiros.

Deus estabeleceu um lugar seguro para que descobríssemos, desenvolvêssemos e desfrutássemos a nossa sexualidade ao máximo. Este lugar é dentro do relacionamento em que os parceiros se pertencem e se doam mutuamente, o qual chamamos casamento. Temos de compreender que o casamento não é apenas uma cerimônia civil ou religiosa. Isto é somente o testemunho público de um casamento. O casamento é um relacionamento sincero, exclusivo e de amor entre um homem e uma mulher, que dura por toda a vida. O marido e a mulher precisam manter este relacionamento, sendo fiéis e se amando continuamente para o resto da vida.

Conseqüências

Muitos planejadores da área da saúde e psicólogos concordam que o comportamento e as atitudes sexuais cada vez mais aceitos na nossa sociedade nas últimas décadas tiveram muitas conseqüências negativas. Há falta de conscientização sobre a saúde sexual, e é comum que as pessoas tenham vários parceiros sexuais diferentes. Estas coisas contribuem para a pandemia da AIDS (SIDA) e o aumento de outras infecções transmitidas sexualmente. Outras conseqüências são a gravidez na adolescência, os abortos, as crianças abandonadas e as mães e pais solteiros. As atitudes prejudiciais para com a sexualidade, tais como a idéia de que ser homem significa ser agressivo sexualmente, podem contribuir para a violência sexual, o abuso infantil e o estupro. Tudo isto deixa claro que o comportamento das pessoas não corresponde às intenções de Deus para o sexo e os relacionamentos.

Acredito que os cristãos precisam redescobrir o plano de Deus para a sexualidade. Precisamos examinar as nossas crenças, os nossos estilos de vida e refletir sobre o exemplo que damos com o nosso comportamento. Temos a responsabilidade de colocarmos em prática uma alternativa radical de atitudes saudáveis para com o sexo.

Jovens

Não vivemos num mundo ideal. Há muitos fatores que pressionam os jovens na nossa sociedade e que os tornam impacientes para fazer sexo. Alguns dos fatores a serem considerados são as crenças culturais, os valores e os costumes, as experiências da infância, o ambiente social e o impulso sexual poderoso que faz parte da nossa natureza física. Com uma nutrição e uma saúde física melhores, muitas vezes, os jovens podem chegar à puberdade mais cedo, às vezes, aos nove ou dez anos de idade. Porém, em muitos países, eles provavelmente só se casarão quando estiverem nos seus vinte anos. Os jovens sofrem pressão constante dos meios de comunicação em massa, tais como a televisão, as revistas e a internet. Os meios de comunicação estão repletos de imagens sexuais e informações errôneas. Acrescente a isto a curiosidade natural dos jovens, o seu desejo de experimentar e a tendência normal de subestimarem os riscos, e podemos ver por que a experiência sexual, com freqüência, começa cedo na vida.

Para os jovens, a pressão dos outros jovens pode ser muito forte. Os adolescentes, muitas vezes, lutam para terem a sua própria identidade. Os jovens procuram a aceitação e a aprovação dentro do seu grupo de jovens. Eles precisam de uma boa auto-estima para serem capazes de desafiar a pressão dos outros jovens e tomarem as suas próprias decisões. Os exemplos também são muito importantes. As boas relações com os pais são um fator essencial para o desenvolvimento, pois tendemos a reproduzir as situações que vivemos no nosso próprio lar. Foi visto, através de estudos, que as crianças que crescem testemunhando relacionamentos violentos geralmente são menos capazes de formar relacionamentos saudáveis e estáveis mais tarde na vida. Os professores, outros parentes e amigos mais velhos também podem ter uma influência forte, assim como pessoas famosas na cultura juvenil, tais como músicos e atores. Com muita freqüência, esta influência pode ser negativa, e não positiva. Se a igreja permanecer calada, como poderemos ajudar os jovens a fazerem boas escolhas?

Às vezes, porém, as pessoas têm pouca opção. As desigualdades entre os sexos fazem com que as mulheres, muitas vezes, tenham pouco controle sobre as suas decisões sexuais. A pobreza pode fazer com que as pessoas não tenham nenhum meio de sobrevivência, a não ser através do trabalho sexual.

O que podemos fazer?

Precisamos proporcionar informações precisas sobre questões sexuais e bons exemplos para os jovens. Devemos ajudálos a criar uma boa auto-estima e boas atitudes em relação ao sexo, para que eles possam tomar boas decisões e evitar o comportamento arriscado. Não podemos fazer isto se tivermos vergonha de falar sobre estas questões. Devemos começar reconhecendo que a sexualidade é uma parte importante e integral do ser humano, a qual deve ser valorizada e respeitada, e não ignorada ou negada. Precisamos compreender o verdadeiro propósito do sexo e eliminar os mitos e as idéias errôneas.

O Dr. Apolos Landa é o Coordenador Regional da América Latina e do Caribe da Luke Society International. E-mail: panluk@usa.net

sábado, 10 de dezembro de 2011

João 1,6-8.19-28

6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz.
19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?”
20João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”.
21Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”.
22Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos de levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?”
23João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías.
24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”
26João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.
28Isto aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.



sábado, 5 de novembro de 2011

Um só Senhor, Sempre!!!!

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9“Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. 10Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 11Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? 13Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. 14Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. 15Então Jesus lhes disse: “Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus”.


- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.


Não sei por que mas quando rezava hoje com essa passagem, o Espírito Santo me lembrava esta outra passagem que está em Lucas 9, 49, que nos diz:

"João tomou a palavra e disse: Mestre, vimos um homem que expelia demônios em teu nome, e nós lho proibimos, porque não é dos nossos. 50 Mas Jesus lhe disse: Não lho proibais; porque, o que não é contra vós, é a vosso favor."

O quê Deus queria me falar é que não dá para está contra e a favor de Deus, ou se esta CONTRA ou se estar A FAVOR!

E me lembrava outra passagem que está em APOCALIPSE 3, 15-16 que diz: Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

A diferença entre CARIDADE CRISTÃ e FILANTROPIA

“Do amor a Deus e ao próximo dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40). É a conclusão a qual Jesus quer que todos nós cheguemos no nosso dia a dia. Com esta afirmação, Jesus estabelece um vínculo entre dois amores. Desconhecer este fato pode levar a graves deformações que abalam o equilíbrio interno da fé e, consequentemente, nos leva à morte.

“Do amor a Deus e ao próximo dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40). É a conclusão a qual Jesus quer que todos nós cheguemos no nosso dia a dia. Com esta afirmação, Jesus estabelece um vínculo entre dois amores. Desconhecer este fato pode levar a graves deformações que abalam o equilíbrio interno da fé e, consequentemente, nos leva à morte.

No Evangelho, Jesus retoma e comenta a essência da Lei. Após enfrentar a armadilha dos fariseus – através dos herodianos – sobre o imposto e a investida dos saduceus sobre a ressurreição, Jesus é colocado à prova por um dos fariseus sobre o maior mandamento da Lei. Jesus responde à questão servindo-se em parte da versão deuteronômica: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (cf. Dt 6,5). Embora só fosse interrogado sobre o maior mandamento, Jesus acrescenta o segundo, servindo-se da versão do Levítico: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (cf. Lv 19,18). E então segue-se a assertiva: “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.

Embora a mentalidade ocidental tenha a tendência de privilegiar o papel da razão quanto ao conhecimento – mesmo o do amor – não faltam referências à compreensão como ato produzido pela experiência. Nesse sentido, a vivência torna-se também meio de conhecer, indo ao encontro daquilo que Jesus indica a respeito do amor a Deus.

Não se trata apenas de compreensão racional ou entendimento mental, mas do conhecimento da fé, que, sendo entre outras coisas a experiência de ser amado por Deus, provoca a resposta humana do amor. Tal amor não exclui a inteligência das verdades reveladas e do próprio Deus, antes impulsiona a compreensão, através do estudo da fé. Sob este aspecto, a expressão ninguém ama o que não conhece, se for aplicada ao conhecimento humano sobre Deus, indica tanto a experiência quanto a intelecção da fé.

É sugestivo que Jesus acrescente o segundo mandamento – mesmo que o fariseu só se tenha interessado pelo maior mandamento – para afirmar a semelhança do amor ao próximo ao amor a Deus e acentuar que desses dois amores dependem toda a Lei e os Profetas.

Qual deve ser o parâmetro do amor entre nós? Jesus diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. No contexto da Lei Antiga o “a ti mesmo” aproxima o apreço que cada um tem por si, inclusive como membro do Povo de Deus, ao apreço que se deve ter pelo semelhante respeitado por ser também membro do Povo, e, como tal, sujeito não só de deveres, mas também de direitos iguais (Lv 19,11-18).

Outras vezes, o “a ti mesmo” refere-se ao apreço pelo outro que, mesmo sendo estrangeiro, é visto como semelhante ao israelita na situação de exílio já superada. Em ambos os casos, o apreço pelo semelhante supõe o amor a si mesmo e a experiência do amor de Deus, expresso na repetição: “Eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 19,10.14.16.18.32) e no incisivo: “Eu sou Iahweh, vosso Deus que vos fez sair da terra do Egito” (Lv 19,36).

Também na Nova Lei, Jesus aproxima o amor que cada um tem por si mesmo ao amor do outro, através da regra: “Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas” (cf. Lc 6,31). Fazendo depender a Lei e os Profetas do amor a Deus e do amor ao próximo como a si mesmo, Jesus compõe a armadura ou o fundamento da religião. A supressão de um desses amores faz desmoronar todo o edifício.

Os fiéis de Cristo que não se preocupam em ser testemunhas visíveis do amor do Pai, pelo serviço aos irmãos, fazem com que seu testemunho perca o centro de todo o seu agir. Aliás, é na mútua articulação entre o amor a Deus e ao próximo que reside a diferença entre a caridade cristã e a filantropia. O amor a Deus se visibiliza no amor ao próximo e o próprio Deus ama seus filhos através dos irmãos que se reúnem e se encontram. Desta maneira, é o amor de Deus que possibilita o encontro sacramental do divino no humano, especialmente mediante a pessoa do pobre. Por isso, a própria luta em prol da justiça e a promoção social dos empobrecidos, são para o cristão motivado pelo amor a Deus, e devem assim permanecer, a fim de não se descaracterizarem em atitudes que a própria Moral cristã condena como a violência ou a vingança.

Portanto, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”

Padre Bantu Mendonça

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Amor de Deus

E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou Jacó, e te formou, Israel: nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu... És precioso aos meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti” (Is 43, 1 – 4).



O QUE É O AMOR?

A palavra amor é um vocábulo que, por diversas vezes, é mal empregado, uma vez que, muitas pessoas não sabem, ao certo, o que ela significa. Quando tomamos a Palavra de Deus, encontramos definições e características, tanto para a palavra amor quanto para o ato de amar.

O amor é algo divino, pois cremos que o amor, em sua essência, vem de Deus, sendo que, na Bíblia, o amor verdadeiro e Deus constituem as mesmas coisas, como bem expressa São João: “Deus é amor!” (I Jo 4, 16b). Partindo desta definição, podemos fazer um paralelo entre esta belíssima citação bíblica e o conhecido trecho da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, onde o Apóstolo procura dar atributos do verdadeiro amor, considerando-o a razão de toda e qualquer boa ação (I Cor 13, 1 – 7). A partir deste trecho da Sagrada Escritura, poderemos fazer um exercício: fazer uso das palavras direcionadas ao amor, atribuindo-as ao próprio Deus.

São Paulo vai ainda mais longe e declara: “A caridade é o vínculo da perfeição” (Cl 3, 14). Quer dizer: só no amor, só em Deus a perfeição é real. Neste paralelo entre Deus e o amor, não podemos ainda nos esquecer que o Deus Verdadeiro é uma comunidade de amor: o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai, sendo que, deste amor partilhado procede o Espírito Santo.



DEUS, POR SER O PRÓPRIO AMOR, AMA

Mesmo diante de toda a beleza sobre Deus e sobre o amor, ainda não nos aprofundamos sobre aquilo que este estudo quer transmitir: Deus, por ser o próprio amor, ama. Deus me ama: esta é uma expressão que o meu ser precisa ouvir. Deus ama você: esta é uma verdade que cada ser humano precisa tomar posse.

Deus, sendo amor, não se fechou em si mesmo, mas transbordou este amor ao criar todas as coisas (Gn 1). Ele não tem outra razão para criar, a não ser o Seu amor e a Sua bondade. O mundo procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participarem do Seu ser, da Sua sabedoria e da Sua bondade. Portanto, Deus não nos criou por uma necessidade, mas por amor.



CARACTERÍSTICAS DO AMOR DE DEUS

No decorrer de toda a história do povo de Deus, o Senhor vai revelando as características do seu amor. O amor de Deus, portanto, é:

- Pessoal – estamos acostumados a ser uma multidão. Isto, muitas vezes, nos leva a crer que Deus nos vê e considera assim: uma multidão. Porém, isto não é verdade: DEUS AMA A CADA UM COMO FILHO ÚNICO. Deus conhece você, suas necessidades, seus anseios, suas qualidades e dificuldades. O amor de Deus por você é tão pessoal, único e tão apaixonado, que o Senhor “tem o seu nome gravado na palma de Suas mãos e tem você sempre diante de Seus olhos” (Is 49, 16);

Misericordioso

Ao ler as diversas passagens bíblicas sobre a misericórdia de Deus, constatamos que ela é sempre um socorro ao pecador. Quando o homem peca, a misericórdia de Deus é infinita para derramar-se sobre ele, fazendo com que venha em seu auxílio todo o mistério da ternura divina que o socorre e reconduz. A Palavra de Deus nos mostra que DEUS NÃO LEVA EM CONSIDERAÇÃO OS PECADOS DOS QUAIS JÁ NOS ARREPENDEMOS E CONFESSAMOS (Is 43, 25). Deus espera ansiosamente nosso arrependimento, nossa volta para os seus braços (Lc 7, 36 – 47);
- Eterno – o amor de Deus nunca teve começo e nunca terá fim. DEUS SEMPRE AMOU VOCÊ E SEMPRE O AMARÁ (Jr 31, 3);


Gratuito

Deus não nos ama em troca do que fazemos ou do que somos. DEUS ACEITA E AMA VOCÊ DA MANEIRA COMO VOCÊ É (Jo 8, 1 – 11). Você não precisa fazer esforço ou ser bom para merecer o amor de Deus, porque Deus não ama “em troca de”, mas “apesar de”. Deus ama gratuitamente. O meu esforço para ser santo deve ser uma prova do meu amor e da minha gratidão ao amor com Deus me amou primeiro (I Jo 4, 19);


Fiel e constante

A Palavra de Deus nos mostra que o amor de Deus para conosco não muda, não oscila. MESMO QUE FOSSE POSSÍVEL UMA MÃE ESQUECER O SEU FILHO, DEUS NÃO NOS ESQUECERIA (cf Is 49, 15). Deus não abandona a sua criação (Is 54, 10) e está sempre voltado para as necessidades de Seu povo (Is 58, 9; Is 65, 24).



A GRANDE PROVA DO AMOR DE DEUS

Deus manifesta seu amor na criação e em toda a história de Israel, agindo com misericórdia na vida daquele povo que, muitas vezes, era infiel ao Seu projeto. Mesmo diante de infidelidades, Deus continuava a dar provas de amor. Chegada a plenitude dos tempos, Deus dá à humanidade uma prova definitiva do Seu amor: envia seu Filho Unigênito ao mundo. DEUS PAI PROVA SEU AMOR POR NÓS EM JESUS (cf Rm 8). O Pai entregou Jesus, na alegria de, por sua entrega, nos conquistar a todos para Ele.

O Salmo 138 canta o amor de Deus, apresentando o ser humano como a maravilhosa obra saída das mãos do Criador. O Verdadeiro Deus é onisciente (tudo sabe e tudo vê), Onipotente (tudo pode) e Onipresente (está em todo lugar).

Portanto, Deus é amor, e cria todas as coisas por amor, sendo que homem e mulher são criados à imagem e semelhança de Deus, isto é, à imagem e semelhança do Amor. É sabendo desta realidade que o Senhor Jesus coloca o amor ao próximo como o segundo maior mandamento (Mt 22, 37 – 40). Os discípulos e todos aqueles que quiserem seguir o Senhor e dar testemunho de Sua Palavra, deverão, além de viver o amor de Deus, amar o próximo como a si mesmo (Jo 13, 34s; Rm 13, 8 - 10).