O zelo pela Casa de Deus me consome
(Sl 69,9; Jo 2,17)
Objetivo
Levar o Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão a compreender que seu ministério não consiste apenas em distribuir a Comunhão, mas em tornar-se um verdadeiro guardião da dignidade da Eucaristia, do respeito pela liturgia e da comunhão da Igreja.
Introdução
Vivemos um tempo em que muitas vezes se confunde zelo com rigorismo, ou simplicidade com descuido.
Jesus, porém, mostrou um caminho diferente.
Quando entrou no Templo, não ficou indiferente ao que via.
Seu amor ao Pai era tão intenso que não suportava ver a Casa de Deus transformada em mercado.
São João explica:
"Os discípulos lembraram-se da Escritura: 'O zelo pela tua casa me consumirá'."
Esse é o mesmo zelo que deve arder no coração de todo Ministro da Sagrada Comunhão.
Não um zelo que condena pessoas.
Mas um zelo que protege aquilo que pertence a Deus.
O que significa zelo?
Na Bíblia, zelo significa:
- amor ardente;
- cuidado constante;
- dedicação;
- fidelidade;
- responsabilidade.
Quem ama cuida.
Quem ama protege.
Quem ama não trata o sagrado com indiferença.
O ministro é guardião, não proprietário
O ministro nunca "possui" a Eucaristia.
Ele a recebe para servir.
Por isso seu comportamento deve revelar profunda reverência.
Seu modo de caminhar.
Seu silêncio.
Sua postura.
Sua oração.
Tudo deve anunciar:
"Aqui está Jesus."
Cinco expressões do verdadeiro zelo
1. Zelo pela própria santidade
Antes de tocar a Eucaristia, o ministro permite que Cristo toque sua vida.
Pergunta para reflexão:
Meu coração é um sacrário digno para receber Jesus?
São Paulo ensina:
"Examine-se, pois, o homem a si mesmo..." (1Cor 11,28)
2. Zelo pela liturgia
A liturgia não nos pertence.
Ela pertence à Igreja.
Por isso o ministro:
- não improvisa;
- não inventa gestos;
- não modifica ritos;
- segue fielmente as orientações da Igreja.
A obediência também é uma forma de amor.
3. Zelo pelo Santíssimo Sacramento
O ministro nunca manipula a Eucaristia de maneira distraída.
Ele observa:
- partículas da hóstia;
- limpeza dos vasos sagrados;
- dignidade no transporte da píxide;
- respeito ao sacrário;
- silêncio antes e depois da Missa.
São gestos pequenos que revelam uma grande fé.
4. Zelo pelos enfermos
Quando leva Jesus a um doente, o ministro leva:
- esperança;
- consolo;
- a presença da Igreja.
Não leva apenas uma hóstia.
Leva o próprio Cristo.
Por isso evita pressa.
Escuta.
Reza.
Acolhe.
5. Zelo pela comunidade
O ministro também evangeliza pelo exemplo.
Sua vida deve transmitir:
- humildade;
- discrição;
- caridade;
- unidade.
Nunca disputa espaço.
Nunca cria divisões.
Nunca busca reconhecimento.
Quem ama a Eucaristia ama a comunhão.
O maior perigo: perder o encanto
Existe um risco silencioso.
A rotina.
Depois de muitos anos, alguém pode começar a pensar:
"É apenas mais uma escala."
"É apenas mais uma distribuição."
Mas nunca será "mais uma".
Toda vez que seguramos a píxide...
...é Deus quem está em nossas mãos.
Nunca nos acostumemos com o extraordinário.
Um exame de consciência para o ministro
Antes de cada Missa, pergunte-se:
- Tenho rezado diariamente?
- Tenho vivido em estado de graça?
- Minha família vê Cristo em mim?
- Tenho estudado a fé?
- Tenho tratado a Eucaristia com reverência?
- Sou obediente às normas da Igreja?
- Tenho servido por amor ou por vaidade?
Conclusão
O zelo que consumia Jesus deve consumir também cada Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão.
Não é o zelo da crítica.
Não é o zelo da superioridade.
É o zelo do amor.
O amor que faz cuidar.
O amor que faz servir.
O amor que faz ajoelhar-se diante do Mistério.
Como dizia :
"Todo o homem estremeça, todo o mundo trema e o céu exulte quando, sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está Cristo, o Filho do Deus vivo."
Que esse mesmo assombro nunca se perca no coração de um ministro.
Dinâmica para encerrar a formação
Conclua diante do sacrário, em alguns minutos de silêncio, convidando cada ministro a rezar interiormente:
"Senhor Jesus, dá-me um coração consumido pelo zelo da tua Casa. Que minhas mãos sejam dignas de tocar o teu Corpo, que meus passos levem tua presença com reverência e que minha vida seja o primeiro testemunho da Eucaristia que distribuo. Que eu jamais me acostume com o mistério que me confiaste, mas te sirva sempre com humildade, amor e fidelidade. Amém."
Essa conclusão ajuda a transformar a formação em um momento de renovação espiritual, unindo o ensinamento doutrinal à oração diante daquele que é o centro de todo o ministério: Jesus Eucarístico.